terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MEDIANERAS

Montesquieu queria conhecer o mecanismo da estimulação do prazer estético. Via nele a manifestação mais completa da alma humana, a que ampliava a esfera de presença de seu ser. Isto pode ser acompanhado no livro “O GOSTO”, de sua autoria, com prefácio e tradução de Teixeira Coelho, publicado em 2005 pela Iluminuras. Sempre há um pouco de Montesquieu em minha cabeça quando me deparo com uma obra que me desconcerta, me desmonta, me comove.
No derradeiro dia do ano fui ver Almodovar. Desculpem aí quem caiu de quatro por "A Pele que Habito". Mas sinceramente não gosto. Podemos trocar ideias, caso alguém se dê ao trabalho. “Ué! E gosto se discute?” Sim, se discute. Estou aqui também para isso. O filme do espanhol é bem cuidado e tudo, mas é absolutamente tedioso. A mim não diz muito. "Ah! É por que é fora do comum!" Não, não é. Eu adoro filmes fora do comum. Que coisa mais descomunal que "Aurora", de Murneau?! Ou "Limite", de Mário Peixoto? Eu adoro! Não é nada disso. "Tudo sobre minha mãe", eu amo. Mas da “Pele que habito” sai bastante entediado (seria esta a palavra?).
Diferente de ontem, primeira incursão que fiz este ano a uma sala de projeção. Era um filme argentino e me descompensou e me fez pensar sobre a merda de tempo que vivemos e me emocionou e me trouxe muita alegria por ter estado lá e visto e presenciado aquela história lá. Delicado, trata dos encontros que dão sentido a este ato heróico que é insistir em existir, que é resistir. Chama-se “Medianeras”, de Gustavo Taretto. Um filme pungente sobre encontros e desencontros, desses que ampliam a esfera da presença de nosso ser no mundo e na vida. Vale à pena! Feliz ano novo a todos nós!



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